sábado, 7 de julho de 2012

Uma Revelação de Deus

No final do relato das dificuldades e provações pelas quais Jó passou, submetido ao fogo do crisol, ele tem o seu tão ansiado encontro com Deus.
No meio do discurso final de Eliú, um grande redemoinho se aproximou (cap. 37) e Deus falou a Jó no meio daquela tormenta. "Depois disto, o Senhor, do meio de um redemoinho, respondeu a Jó" (Jó 38:1). 
Muitas vezes, quando nos sobrevém as crises, nos desesperamos e sentimo-nos abandonados por Deus. No entanto, quando por entre as tempestades da vida nós lutamos, sem desanimar, nas tempestades acharemos a Deus.

O objetivo divino

Em Jó 38, Deus não pretende resolver a contenda, mas revelar-Se. Ele nem sequer explicou a Jó a razão de seu sofrimento. Compreender claramente a Deus é muito mais importante do que uma exposição de todas as razões da providência divina.
Deus não explica por que o mal prospera ou por que o justo sofre. Ele nada diz sobre o mundo futuro, nem sobre a futura compensação das desigualdades presentes. Deus simplesmente Se revela - Sua bondade, Seu poder, Sua sabedoria - e, com essa revelação, pretende resolver os problemas de Jó. 

O que mais precisamos

A nossa maior necessidade hoje não é de ouvir mais sermões. Não é de ouvir e conhecer mais profecias. Não é adquirir mais conhecimentos sobre quaisquer áreas, mesmo as mais importantes da vida cristã. A nossa suprema necessidade é ter um encontro com Deus e ter a revelação de Deus em nossa vida. 
A palavra de Deus é clara e taxativa a este respeito: "O meu povo perece por falta de conhecimento..." (Oséias 4:6). 
Paulo completa, mostrando que tipo de conhecimento é este: "Tornai-vos à sobriedade, como é justo, e não pequeis; porque alguns ainda não têm conhecimento de Deus; isto digo para vergonha vossa" (I Coríntios 15:34).

Hoje, muitos ladrões tentam roubar nossa intimidade com Deus. Freqüentemente, permitimos que o senso de culpa, sofrimento e dor se interponham entre nós e Ele, mas, com certeza, a dúvida é a mais cruel de todas as armas sacadas contra a nossa fé.

Os dois grupos

Depois de estudar a ciência e a teologia contemporânea, muitos cristãos abdicam da fé e exclamam: "Levaram o meu Senhor, e não sei onde O puseram!" (João 20:13).
Perder Deus de vista abala os próprios alicerces da vida. Afinal, o eixo central da nossa existência encontra-se estabelecido sobre a Pessoa do nosso Criador: "Pois nEle vivemos, e nos movemos, e existimos..." (Atos 17:28).

Como afirma o sábio Salomão: "Nada há melhor para o homem do que comer, beber e fazer que a sua alma goze o bem do seu trabalho. No entanto, vi também que isto vem da mão de Deus, pois, separado deste [de Deus], quem pode comer ou quem pode alegrar-se?" (Eclesiastes 2:24-25). 
Infelizmente, muitos, hoje, se incluem na descrição apresentada pelo profeta Jeremias: "Porque dois males cometeu o meu povo: A Mim Me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retém as águas" (Jeremias 2:13). 

Em contrapartida, nestes últimos dias da História, os verdadeiros fiéis entre o povo de Deus assumem um posicionamento diametralmente oposto: "... mas o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e ativo. Os sábios entre o povo ensinarão a muitos..." (Daniel 11:32-33).

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Depressão, o cárcere da alma.





 Hernandes Dias Lopes 

A depressão foi definida por Andrew Solomon como um parasita que suga a seiva da nossa vida. É como engolir seu próprio funeral e vestir-se de uma roupa de madeira. A depressão é o cárcere da alma, a masmorra das emoções, o cativeiro que priva milhões de pessoas de nutrirem na alma, a esperança do amanhã. A depressão é classificada como uma doença e, essa doença, que possui múltiplas causas, atinge ricos e pobres, jovens e velhos, doutores e analfabetos, religiosos e ateus. A depressão é uma doença que provoca muitas outras. Se não tratada convenientemente pode desembocar em tragédias irremediáveis. A depressão é a principal causa do suicídio no mundo.
John Piper, em seu livro O Sorriso Escondido de Deus, trata deste assunto com esmerado cuidado. Há duas posições que circulam no meio evangélico sobre o assunto, que revelam um desequilíbrio perigoso. A primeira delas liga a depressão à ação demoníaca. Os defensores dessa vertente afirmam que as pessoas deprimidas estão oprimidas e até possuídas por demônios. A segunda interpretação vincula a depressão a algum pecado específico ainda não confessado. Assim, uma pessoa fica deprimida porque esconde algum pecado que precisa ser confessado e abandonado. Não subscrevemos essas duas interpretações. Julgamo-las deficientes e assaz injustas. É muito verdade que uma pessoa pode ficar deprimida em virtude de seu envolvimento com demônios e também como resultado de algum pecado escondido. Porém, uma pessoa pode ser assolada pela depressão, mesmo levando uma vida cheia do Espírito Santo. Assim como um indivíduo pode ser cheio do Espírito e ter um problema cardíaco, também uma pessoa pode estar plena da presença de Deus e enfrentar o drama da depressão.
Se há várias causas que provocam a depressão, também há vários sintomas que a revelam. O primeiro sintoma é que a pessoa deprimida é tomada por uma desesperança crônica e passa a enxergar a vida pelas lentes escuras do pessimismo. Não vê uma luz no fim do túnel nem janelas de escape. Foi o que aconteceu com o profeta Elias. Pensou que somente ele havia restado dos profetas de Deus em Israel, quando na verdade sete mil ainda não haviam se dobrado a Baal. O segundo sintoma é olhar para a vida pelas lentes do retrovisor. Uma pessoa deprimida sente uma saudade mórbida dos bons tempos que se foram e se desespera diante das incertezas do seu futuro. Sente-se num calabouço existencial e sem ânimo e forças para sair desse cárcere da alma. Nessa saga cheia de pavores, flerta com a própria morte. Não que seu desejo seja de fato morrer, mas é que sente uma dor tão profunda na alma que o único alívio que consegue vislumbrar é o alívio da morte. Não podemos subestimar esses presságios que rondam a alma de uma pessoa depressiva. Isso é uma espécie de alarme, uma trombeta que precisa de encontrar ouvidos sensíveis. É por essa razão, que o terceiro sintoma de uma pessoa deprimida é um completo desânimo quanto ao futuro. É o desejo de fechar as cortinas da vida e colocar um ponto final na existência.
Como devemos lidar com a depressão? Como ajudar uma pessoa deprimida? Primeiro, precisamos orar por ela e com ela. Depois, precisamos cientificar-nos se essa pessoa está recebendo o tratamento médico adequado para a sua doença. Ainda, precisamos estar perto dela, oferecendo-lhe um ombro amigo, um ouvido atento e um coração generoso. Finalmente, precisamos compartilhar com ela a esperança do evangelho, o poder da graça de Deus e o consolo das Escrituras. Deus nos vivifica segundo a sua Palavra. Ele tira a nossa alma do cárcere. Ele acende uma luz de esperança no túnel escuro do nosso sofrimento. Deus arranca os gemidos da nossa alma e coloca em nossos lábios, um cântico de vitória. Em síntese, trata-se da depressão com remédio, terapia e fé.

1 Tessalonicenses: uma introdução



É nossa concepção de futuro que dá forma ao presente, que define os contornos e o tom de ações e pensamentos nossos durante o dia. Se nosso senso de futuro é fraco, temos uma vida marcada pela indiferença. Boa parte das doenças emocionais e mentais e dos suicídios ocorre entre pessoas que sentem que “não têm futuro”. A fé cristã sempre foi caracterizada por um forte senso de futuro, sendo o exemplo mais notório a crença na segunda vinda de Jesus. Desde o dia em que Jesus ascendeu ao Céu, Seus seguidores vivem na expectativa de Seu retorno. Ele prometeu que voltará, e eles creram nisso – e continuam a crer. Para os cristãos, essa é a questão mais importante com relação ao que se crê e sabe a respeito do futuro.

O efeito prático dessa crença é carregar cada momento do presente com esperança, pois, se o futuro é dominado pela volta de Jesus, sobra pouco espaço na tela para a projeção das nossas ansiedades e fantasias. Essa certeza afasta a confusão da nossa vida. Livres do medo, podemos corresponder espontaneamente à liberdade que Deus nos dá.

Ao mesmo tempo, a crença pode ser mal compreendida, de modo que se transforme em medo paralisante para alguns e indolência para outros. As duas cartas de Paulo aos cristãos em Tessalônica, entre outras coisas, corrigem essas opiniões equivocadas e debilitantes, incentivando-nos a continuar a viver em alegre e inteligente expectativa com respeito ao que Deus fará em Jesus (Eugene H. Peterson, A Mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea [São Paulo: Vida, 2011], p. 1.686).

Autores

Primeira Tessalonicenses foi enviada à igreja de Tessalônica por três autores: Paulo, Silvano e Timóteo (1Ts 1:1; veja 2Ts 1:1). Paulo foi claramente o autor principal da carta (1Ts 2:18; 3:5; 5:27), mas ele se sentiu feliz em dividir a cena com seus colegas de ministério.

Silvano (chamado de “Silas” no livro de Atos) era líder na igreja de Jerusalém (At 15:22), profeta (At 15:32) e cidadão romano (At 16:37, 38). Ele se tornou companheiro de viagem de Paulo depois que este se separou de Barnabé (At 15:36-41). Paulo e Silvano foram espancados e presos juntos pouco depois que chegaram a Tessalônica.

Timóteo era um jovem que Paulo conheceu em sua primeira viagem missionária. Ele imediatamente se uniu a Paulo no ministério (At 16:1-3) e ajudou Paulo e Silvano a fundarem a igreja em Tessalônica (At 17:1-9).

Audiência

O contexto de 1 e 2 Tessalonicenses é descrito em Atos 17 e 18, além de ser sugerido nas cartas de Paulo. Após uma experiência dolorosa em Filipos (At 16:12-40; 1Ts 2:2), Paulo e seus companheiros Silas e Timóteo se dirigiram à cidade de Tessalônica, onde havia uma sinagoga judaica (At 17:1).

Em Tessalônica, Paulo pregou com base na Bíblia que era necessário que o Messias sofresse primeiro e depois ressuscitasse dos mortos. Ele também procurou mostrar que Jesus havia cumprido as profecias sobre o Messias (At 17:2, 3). Muitos judeus e gregos creram na mensagem (At 17:4), mas houve um alvoroço (At 15:5, 6) e as autoridades da cidade precisaram intervir (At 17:8, 9). Em resultado, Paulo e Silas (e provavelmente Timóteo) saíram imediatamente da cidade (At 17:10).

Após dificuldades adicionais em Bereia, Paulo se dirigiu a Atenas, enviado por Silas e Timóteo (At 17:14, 15). Paulo então enviou Timóteo de volta a Tessalônica para ver como estava a igreja (1Ts 3:1, 2). Silas também voltou a Tessalônica (At 18:5), provavelmente para visitar mais uma vez a igreja recém-fundada em Filipos. Após sair de Atenas, Paulo foi a Corinto (At 18:1), onde ele se uniu novamente a Silas e Timóteo (At 18:5). Lá, ele escreveu 1 Tessalonicenses.

Data e local de escrita

Na época de Paulo, a Grécia estava dividida em duas províncias romanas. A província ao norte, que incluía Tessalônica e Filipos, era chamada Macedônia. A província ao sul, que incluía Atenas e Corinto, era chamada Acaia. Ambas as províncias são mencionadas juntas em 1 Tessalonicenses, bem como em Atos 19:21 e em algumas cartas de Paulo (Rm 15:26; 2Co 9:2; 11:9, 10). Tessalônica era a maior cidade da Macedônia, com um porto no Mar Egeu e uma grande estrada (a Via Egnatia) que levava ao Mar Adriático e, de lá, a Roma.

A primeira carta a Tessalônica provavelmente foi escrita em Corinto, visto que Paulo conhecia o pensamento das pessoas da Acaia (1Ts 1:7, 8), província na qual Corinto estava localizada. A carta foi escrita em 50 ou 51 d.C., pouco depois da visita original de Paulo a Tessalônica (1Ts 2:17).

Mensagem

É natural que os novos cristãos enfrentem sérios desafios logo após a conversão. Paulo sabia disso. Sendo que o apóstolo não podia estar junto dos cristãos de Tessalônica, ele primeiramente enviou Timóteo para reunir informações sobre a igreja. Timóteo relatou a fidelidade deles e alguns desafios que estavam enfrentando. Então, Paulo tratou dessas questões e experiências na carta que conhecemos como 1 Tessalonicenses. Dois temas se destacam na carta:

1. O fim dos tempos – A igreja em Tessalônica estava sofrendo com problemas comportamentais em parte por causa de ideias confusas sobre o retorno de Jesus e os eventos que cercariam esse retorno. Portanto, o foco principal de 1 Tessalonicenses está nos últimos dias da história da Terra. De fato, cada capítulo da carta se encerra com o tema da segunda vinda de Cristo (1:9, 10; 2:19, 20; 3:13; 4:13-18; 5:23, 24).

Os tessalonicenses parecem ter chegado à conclusão equivocada de que Paulo teria ensinado que todos eles viveriam até o retorno de Jesus. Aparentemente, eles acreditavam que os cristãos que haviam morrido estariam em desvantagem quando Jesus retornasse (4:13-15). Em sua carta, Paulo lhes assegura que os mortos justos ressuscitarão primeiro para participar plenamente desse evento com os vivos (4:15-17). Ele também deixa claro que a vinda de Jesus não será secreta (4:16) e que nós iremos encontrar o Senhor nos ares, não no solo (4:17).

Em 1 Tessalonicenses 5:1-11, Paulo volta sua atenção ao preparo para a segunda vinda. O momento do retorno de Jesus será uma surpresa (5:2, 3), mas os cristãos estarão prontos por causa de seu estado de alerta e autodisciplina (5:4-8), cheios de esperança e participantes dos benefícios da morte de Cristo (5:8-10). Um entendimento correto sobre o tempo do fim leva ao encorajamento no tempo presente (4:18; 5:11).

2. Santificação – Sendo que a igreja dos tessalonicenses se mantinha firme em sua decisão por Cristo, Paulo também focalizou as lutas que enfrentavam para viver a fé. Na sociedade romana da época, predominava a imoralidade sexual. Em contraste com isso, Paulo ensinava que o sexo fora do casamento traz prejuízo a todos (4:3-6).

Parece também que alguns tessalonicenses haviam parado de trabalhar (4:11; 2Ts 3:6, 7, 11), viviam às custas de outros (2Ts 3:6, 7) e haviam se tornado intrometidos e indisciplinados (1Ts 5:14; 2Ts 3:6, 7, 11), perdendo o respeito até mesmo dos vizinhos não cristãos. Paulo respondeu a esse problema enfatizando que os cristãos devem cuidar de seus próprios negócios (1Ts 4:11, 12) e sustentar a si mesmos enquanto aguardam o retorno de Jesus (2Ts 3:6-9).

Esboço

I. Saudações e ação de graças (1:1-5)
II. Motivos para ação de graças (1:6–3:13)
            A. Imitação dos membros da igreja (1:6-10)
            B. Exemplo dos apóstolos (2:1-12)
                        1. Pano de fundo (2:1, 2)
                        2. Caráter dos apóstolos (2:3-8)
                        3. Comportamento dos apóstolos (2:9-12)
            C. Exemplo da Judeia (2:13-16)
            D. Desejo de Paulo de vê-los (2:17–3:13)
                        1. Tentativas anteriores de visitá-los (2:17-20)
                        2. Visita substituta de Timóteo (3:1-5)
                        3. Resultado da visita de Timóteo (3:6-10)
            E. Bênção de transição (3:11-13)
III. Conselhos práticos (4:1–5:22)
A. Ética sexual (4:1-8)
B. Ética comunitária (4:9-12)
C. Os mortos em Cristo (4:13-18)
D. O Dia do Senhor (5:1-11)
E. Vida da igreja (5:12-22)
IV. Bênção final (5:23-28)

(Andrews Study Bible [Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 2010], p. 1.566-1.568. Traduzido por Matheus Cardoso. http://bible.andrews.edu)

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Tudo o Que Está Dando Certo é Bom Diante de Deus?



Ricardo Coelho Moreira

Entende-se como pragmatismo uma corrente filosófica do século XIX e está associada à pessoa de Willian James. Muitos nunca ouviram esse termo e duvidam sobre a influência desse pensamento em nossos dias. Mas o pragmatismo há muito corre em nossas veias, estejamos conscientes ou inconscientes disso.
Na ética pragmática há um rompimento com a metafísica, ou seja, o que é bom ou mal nunca pode ser definido por uma questão transcendente. Aplicando, o bom ou mal não é definido por Deus ou pela Bíblia, nem mesmo pela subjetividade humana. Nessa escola filosófica o que é bom, louvável, o que deve ser procurado, é o que é útil. Logo, à pergunta: Deus existe? A resposta pragmática é: se essa crença te faz bem, então continue a crer nisso.
A influência do pragmatismo no meio evangélico brasileiro é tal, que não é incomum ouvirmos e vermos líderes em busca de novas táticas ou técnicas para o crescimento de sua igreja. Por causa do pragmatismo, o fato do crescimento impede a reflexão se essa técnica é bíblica ou não. O que importa é o crescimento. Buscar uma nova metodologia administrativa, homilética ou de ensino não é o problema. O problema está na visão pragmática de muitos líderes que abandonam princípios antes defendidos, em favor do que está dando “certo”.
O perigo e ameaça do pragmatismo está no fato de que em nome daquilo que está funcionando deterioramos princípios. Infelizmente não é incomum ouvir e ver companheiros ministeriais afirmando que “apesar de não concordar muito, o povo gosta, a igreja está crescendo...” , “isso é pecado, mas Deus está com ele, Ele tem abençoado, olha o tamanho da igreja...”.
Há rigidez na disciplina com uma pequena ovelha, mas com aquele “homem de Deus” que ora e o milagre acontece, somos mais leves, pois o ministério dele está dando certo. A visão pragmática no meio evangélico nos fez deixar de avaliar o ministério de um homem por seu caráter e fidelidade escriturística no ensino. Agora os bons ministérios são os grandes ministérios.
Nem tudo que é grande é saudável, o câncer é uma multiplicação doentia das células. “Disse Jesus: Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai , que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mateus 7.21-23).
A pessoa aprovada por Deus nesse texto não é o que fez milagres, que clamou fervorosamente: “Senhor, Senhor!”. O que entrará no Reino de Deus não é o que deu certo diante dos homens, mas o que fez a vontade do Pai. Nem sempre fazer a vontade do Pai vai nos levar à grandeza e sucesso diante dos homens. Mas fazer a vontade do Pai é bom.
Concluindo, nem tudo que está dando certo diante dos homens é bom diante de Deus.

sábado, 30 de junho de 2012

Feliz Sábado!



“Também lhes dei os meus sábados, para servirem de sinal entre mim e eles, para que soubessem que eu sou o Senhor que os santifica.” (Ezequiel 20: 12)

Feliz Sábado! Essa é uma saudação exclusivamente Adventista. Mas será que todo Adventista reconhece tudo o que essa saudação quer dizer? Feliz Sábado é a manifestação pública de quem confia na Bíblia como Palavra de Deus. É a declaração oficial de um povo que tem fé. Para saudar dessa maneira precisamos estar convencidos de que o sábado é o memorial da criação.

Quando desejamos Feliz Sábado estamos admitindo: somos criacionistas. A criação transcorreu durante o período de um ciclo semanal, ou seja, uma semana de sete dias de 24 horas. Existe um Criador que se auto-revela em três pessoas. Jesus veio a essa Terra e declarou-se “Senhor do Sábado”. Morreu pela raça humana. Prometeu voltar e vai restaurar nosso mundo a condição original antes do pecado.

Quando desejamos Feliz Sábado estamos testemunhando em favor dos dez mandamentos. Reconhecemos que eles não foram abolidos e nem substituídos. Também reconhecemos que o sábado é uma aliança eterna e, conforme o profeta Isaías, será guardado após a segunda vinda de Jesus, durante o milênio e por toda a eternidade. “E será que, de uma Festa da Lua Nova à outra e de um sábado a outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o Senhor. (Isaías 66: 23)

Quando desejamos Feliz Sábado estamos afirmando que fazemos parte do povo remanescente de Deus e que nossa missão é anunciar “Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a Terra, e o mar, e as fontes das águas. (Apocalipse 14: 7)

Quando desejamos Feliz Sábado estamos dizendo: Eu conheço a Deus. “Ora, sabemos que o temos conhecido por isso: se guardamos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade.” I Jõao 2:3,4

Quando desejamos Feliz Sábado estamos testemunhando que permanecemos em Deus, e Deus em nós. “E aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus, nele.” I João 3:24

Quando desejamos feliz Sábado estamos dizendo: Eu “não amo o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo.” I João 2:15,16

Da próxima vez que você desejar: Feliz Sábado! Lembre-se de que está admitindo: “Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” Apocalipse 14: 12. Feliz Sábado! 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Amor ou paixão cega? Como diferenciá-los


Nancy Van Pelt

“Como posso saber se estou realmente amando?”, perguntou um leitor ao colunista de um jornal. E a resposta foi: “Se precisa perguntar, então não está amando.” A inadequação da resposta é aterradora, ainda assim muitos continuam pensando que quando o amor os acertar, ele será percebido! Na verdade, a coisa não é bem assim.
Estudos mostram que a maioria das pessoas tende a considerar os relacionamentos passados como paixões e o atual como amor verdadeiro. Outra pesquisa descobriu que a média das experiências de pessoas que vivem paixões é de seis a sete vezes, ao passo que as do amor verdadeiro é de uma a duas vezes. Você pode ter vivenciado muitos romances, mas o ponto é: Como pode afirmar se seu amor é verdadeiro ou apenas uma paixão efêmera?
Amor e paixão possuem sintomas similares
Amor e paixão possuem algo em comum - sentimentos fortes de afeição por alguém - o que complica a questão de perceber as diferenças, porquanto muitos dos sintomas se sobrepõem uns aos outros. A maioria das paixões arrebatadas e cegas pode conter uma porção de amor verdadeiro e o amor verdadeiro pode incluir muitos dos sintomas encontrados na paixão. Então, as diferenças entre amor e paixão são freqüentemente verificadas em grau, mais do que em definição. Portanto, devem-se examinar todas as evidências com extrema cautela.
Amor e paixão compartilham três sintomas: atração sexual, desejo de estar próximo e emoções fortes.
Atração sexual. A atração sexual pode estar presente sem o amor verdadeiro. É inteiramente possível, particularmente para o homem, ter um forte desejo sexual por uma mulher que ele antes não conhecia. Abraçar e acariciar aumenta a urgência dos sentimentos eróticos até que o sexo domine a relação. A paixão, por si só, não é indicação de amor verdadeiro. A atração sexual pode ser tão importante na paixão quanto no amor verdadeiro, e às vezes pode ser até dominante. O amor deve estar baseado em mais do que atração sexual ou paixão cega.
Além disso, ninguém pode manter uma paixão por muito tempo e com tamanha intensidade, mesmo que jurem fazê-lo. Se todos os casais vão à procura de paixão, o relacionamento possivelmente terminará em poucos meses. Se um casal pretende chegar ao matrimônio baseando-se no ímpeto inicial da atração sexual, aprenderá que quando a paixão acabar, nada haverá que os mantenha unidos.
Desejo de proximidade. O desejo de proximidade pode tornar-se imprescindível tanto na paixão como no amor verdadeiro. Você pode desejar estar junto à pessoa amada o tempo todo, temendo o momento em que se apartará dela. Você pode sentir-se vazio e sozinho quando seu(sua) amado(a) não está com você, mas isso não é necessariamente uma indicação de amor verdadeiro. O desejo de estar próximo pode ser tão forte na paixão quanto no amor verdadeiro.
Emoções fortes. As pesquisas confirmam que experimentamos diferentes sintomas físicos no princípio da paixão. Sensações como caminhar nas nuvens quando tudo vai bem e sentir-se doente quando tudo vai mal; arrepios subindo e descendo pela coluna vertebral, incapacidade de concentração, dores no estômago ou dificuldade de comer, são sintomas muito comuns, mas as emoções fortes ocorrem tão freqüentemente na paixão quanto no amor verdadeiro, embora sentimentos inexplicáveis e emoções fortes indiquem mais a paixão. O amor verdadeiro abriga mais que uma mistura de sentimentos inexplicáveis, e se mantém após a diminuição das emoções fortes.
Se você está sozinho(a), entediado(a) ou tentando superar o rompimento de um romance, mostra-se mais vulnerável a interpretar um novo romance como amor verdadeiro, ainda que esse seja pouco mais que paixão. Se você é inseguro(a) ou possui baixa auto-estima, deve ficar alerta. Pessoas maduras, bem como aquelas que possuem elevada auto-estima, podem ser enganadas por uma paixão, mas têm mais chances de reconhecer a diferença entre o amor verdadeiro e a paixão.
Não fique com a impressão de que a paixão seja de todo ruim. Pode ser uma agradável e divertida experiência se reconhecê-la como tal - um curto interlúdio de uma fantasia romântica. Dando-se tempo suficiente, ela irá passar ou se desenvolverá num relacionamento verdadeiro que envolverá mais que um ímpeto de emoções. Lembre-se de que alguns relacionamentos que começam como paixão, desenvolvem-se em amor verdadeiro com o passar do tempo, enquanto são postos à prova.
O amor verdadeiro difere da paixão na medida em que provê tempo e espaço para reconhecer as boas qualidades bem como as falhas do amigo(a) especial. Comprometer-se com, ter relações sexuais com, viver com, ou casar-se com alguém baseado nesses sentimentos precoces, é pura tolice e irá resultar em conseqüências previsíveis e negativas.
Identificando a realidade
Durante a década de 1820, os mineiros da Corrida do Ouro ocasionalmente confundiram sulfeto de ferro com ouro. O sulfeto de ferro ou ouro dos tolos, como é chamado, pode ser detectado ao ser colocado numa panela quente. Enquanto o sulfeto espouca, desprende fumaça e emite um forte mau cheiro, o ouro verdadeiro não será danificado pelo calor e também não produzirá odor insuportável. Infelizmente, você não pode colocar a sua relação amorosa numa panela quente, para ver se ele produz um odor ruim, mas pode testá-lo seguindo estes nove fatores:
1. O amor se desenvolve lentamente; a paixão, rapidamente. A maioria das pessoas pensa que o apaixonar-se ocorre repentina e intensamente. Paulo diz: “Fiquei apaixonado no exato minuto em que a vi ontem. Ela parecia exatamente aquilo com que eu havia sempre sonhado. Senti como se a conhecesse há muito.”
A avaliação de Paulo não permanecerá válida durante um ano após o encontro. Por quê? Porque o amor cresce e crescimento leva tempo. É impossível realmente conhecer uma pessoa após poucos encontros. Inicialmente, num relacionamento, as pessoas demonstram seu melhor comportamento. Os traços desagradáveis de caráter ficam ocultos e sob controle. Demanda meses ver uma pessoa em diferentes circunstâncias antes de você conhecê-la bem. Muitas pessoas escondem com sucesso traços de personalidade negativos até após o casamento.
Não tire conclusões precipitadas. Permita que seu relacionamento cresça sem pressa. Comecem como amigos e não tentem saltar etapas. Os encontros mantidos com tranqüilidade tornam os relacionamentos agradáveis, e tais amizades podem levar ao verdadeiro amor que se assemelha à paixão em intensidade, mas em realidade possui raízes profundas.
2. O amor se apóia na compatibilidade; a paixão, na química e na aparência. Steve sentiu-se atraído ao conhecer uma bela garota. Conforme suas próprias palavras, ele sentiu uma química instantânea. “Ou você sente a química ou não. Eu senti no minuto em que a vi.” De onde Steve tirou a idéia de que química e amor são a mesma coisa? De filmes, talvez!
Essa “dependência química” para guiá-lo na direção do amor é tola e perigosa. A química está baseada mais no físico ou na atração sexual. Há necessidade de uma faísca de atração entre vocês, que os faz sentir mais vivos que nunca dantes, mas basear um casamento apenas nisso é ridículo.
Você pode sentir-se fortemente atraído por alguém que acaba de conhecer e gostar de tudo nesta pessoa, mas há um longo caminho a percorrer antes de poder amá-la. O verdadeiro amor inclui química, mas brota de outros fatores tais como: caráter, personalidade, emoções, idéias e atitudes. Quando você está apaixonado, fica interessado na forma como o outro pensa e responde às situações, aos valores que vocês possuem em comum. Você observa suas atitudes com relação à família, sexo, dinheiro e amigos, bem como nos interesses comuns, origem similar e educação. Quanto mais têm em comum, maiores serão as chances de um verdadeiro amor.
3. O amor centraliza-se numa pessoa; a paixão pode envolver várias.Uma pessoa apaixonada pode sentir-se “caída” por duas ou mais pessoas ao mesmo tempo. Essas pessoas freqüentemente diferem em personalidade em grau acentuado. Jan diz que está apaixonada por dois garotos, mas não consegue escolher entre eles. Steve é maduro, estável e responsável, entretanto Reggie é um irresponsável e incorrigível paquerador. Jan não está apaixonada por eles. Alguma coisa a atrai para o namorador, enquanto seus instintos maduros mostram-lhe que as qualidades de Steve possuem maior importância. Ela combina suas qualidades e pensa estar apaixonada pelos dois. O amor verdadeiro centraliza-se apenas numa pessoa, na qual caráter e personalidade possuem as qualidades essenciais. Você não tem como combinar diferentes pessoas para formar uma ideal.
4. O amor cria segurança; a paixão produz insegurança. Enquanto o amor trabalha segundo o princípio da confiança, a paixão luta com a insegurança e pode tentar controlar o outro através dos ciúmes. Isso não significa que quando você está realmente apaixonado, jamais sentirá ciúmes, mas esse é menos freqüente e severo. O amor verdadeiro confia. Alguns se sentem lisonjeados com cenas de ciúmes, pensando ser isso um indicativo do amor verdadeiro. Ciúmes, entretanto, significam sentimentos de insegurança e auto-estima nada saudáveis, bem como possessividade. O amor verdadeiro não funciona assim.
5. O amor reconhece as realidades; a paixão as ignora. O amor verdadeiro vê os problemas diretamente, sem minimizar sua seriedade, enquanto que a paixão ignora as diferenças de âmbito social, étnico, educacional ou religioso. Algumas vezes isso exerce pressão sobre alguém casado. A paixão argumenta que tal coisa não importa. Um casal enamorado, entretanto, enfrenta os problemas de forma franca. Quando um problema ameaça seu relacionamento, eles o discutem abertamente e o resolvem de forma inteligente. Negociam antecipadamente as soluções.
6. O amor motiva um comportamento positivo; a paixão tem efeitos destrutivos. O amor é construtivo e manifesta o seu melhor. Ele provê nova energia, ambição e interesse na vida. O amor estimula a criatividade, interesse em crescimento e desenvolvimento pessoal, e leva você a agir de forma digna. Gera auto-estima, confiança e segurança, e o impulsiona rumo ao sucesso. Você estuda mais, planeja mais efetivamente, e poupa mais diligentemente. A vida adquire propósito e significado adicionais. Você pode sonhar acordado, mas permanece ligado à realidade e trabalha em seu mais alto nível.
A paixão tem efeito destrutivo e desorganizador. Você será menos efetivo, menos eficiente, e incapaz de desenvolver seu verdadeiro potencial. Ele se desenvolve em sonhos irreais que fazem você se esquecer das realidades da vida, do trabalho, do estudo, de suas responsabilidades e de seu dinheiro.
7. O amor reconhece as falhas; a paixão as ignora. O amor reconhece as finas qualidades no outro e as idealiza de certa maneira, mas não o considera isento de falhas. As faltas são admitidas, mas o respeito e admiração pelas boas qualidades se sobrepõem às más. A paixão impede você de ver qualquer erro. Você idealiza a tal ponto, que se recusa a admitir faltas e defende o seu(sua) amado(a) de todas as críticas. Admira tanto uma ou duas qualidades, que chega a se enganar acreditando que essas possam sobrepor-se às faltas. O amor torna-o capaz de querer, a despeito de todas as faltas, mas não o cega em relação à realidade.
8. O amor controla os contatos físicos; a paixão os explora. O amor verdadeiro ajuda o casal a se controlar nas românticas expressões de intimidade. Ambos se respeitam mutuamente, tanto que limitam seu desejo por intimidade de maneira voluntária. A paixão exige intimidade muito mais cedo. Além do mais, tal intimidade torna-se algo de menor importância no relacionamento de um casal que se ama, em contraste com um par apaixonado. A razão para isso é que a paixão depende, em larga escala, da atração física e a excitação acaba levando a abraços e carícias. As pessoas que a experimentam pela primeira vez, pensam que deva ser algo muito especial e supõem estar amando. Elas ignoram o fato de que seus valores, metas e crenças podem estar em discordância. Caso se casem baseados somente na atração física, irão descobrir que seu interesse sexual declinará e as discordâncias aumentarão.
Ainda que o amor verdadeiro inclua atração física, ele advém de outros fatores. O contato físico de um casal amante possui normalmente mais um profundo significado do que mero prazer. O contato físico para um apaixonado freqüentemente se torna a razão da relação. O prazer domina a experiência.
9. O amor obtém a aprovação da família e amigos; a paixão gera reprovação. Se os pais ou os amigos não aprovam, tenha cuidado! Se eles estão convencidos de que você fez uma má escolha, estarão provavelmente corretos. Casamentos que carecem das bênçãos dos pais experimentam um alto índice de fracasso. Um pesquisador comparou as reclamações de casais felizes com as de casais divorciados. Os divorciados tendem a reclamar quase quatro vezes mais de que seus cônjuges não possuem nada em comum com os seus amigos. Descobriu-se também que casais felizes enfrentam bem menos problemas com parentes. Se parentes e amigos discordam, tome cuidado. Se aprovam, aceite com carinho.
Dê um tempo
Se você analisa seu relacionamento, mas ainda não consegue decidir se se trata de amor verdadeiro ou não, dê tempo ao tempo. A paixão quer acelerar o relacionamento. As emoções fortes anulam o bom senso e tentam apressar um comprometimento que mais tarde trará arrependimento. O amor verdadeiro pode sobreviver ao teste do tempo (dois anos de namoro) para garantir que você esteja apto para o casamento. O tempo traz experiência e perspectiva.
Todos os anos milhares de casais sobem ao altar; seus olhos estão radiantes de alegria, prometendo amor e fidelidade para sempre, não percebendo que cometem o maior erro de suas vidas. O que sucederá aos seus deslumbrados e persistentes olhares, às ternas promessas, aos beijos apaixonados e sussurros de amor?
Muitos falham em compreender que ninguém fica “caidinho”. A decisão de amar é sua, de pensar a respeito, de investir tempo nisso e de possuir fortes sentimentos por alguém. Apaixonar-se é a parte mais fácil e divertida do amor. A parte difícil, o comprometimento de um amor incondicional à uma pessoa imperfeita, permanece. O amor genuíno diz: “Eu o amarei mesmo quando você falhar em suprir as minhas necessidades, em me rejeitar ou ignorar, em comportar-se estupidamente, em fazer escolhas que eu não faria, em discordar de mim e me tratar injustamente. Apesar disso eu o amarei para sempre.”
Essa espécie de amor é um presente criativo de Deus para nós, e pode ser apreciado em sua totalidade apenas dentro do respaldo e da segurança do casamento. Somos apenas capazes de amar porque Ele nos amou primeiro.Firme-se primeiramente nEle e então terá menos chances de se desapontar no amor, e mais chances de encontrar nele a satisfação em seu jornadear terreno.
Nancy L. Van Pelt, CFLE, é autora de muitos livros, incluindo Smart Love: A Field Guide for Single Adults, do qual este artigo foi extraído e adaptado. Você pode entrar em contato com Nancy no http://www.heartnhome.com.

Fonte: Diálogo Universitário

Uma Igreja SEM Propósitos???



Carlos Sider

Não estou falando de um novo modelo de gestão para sua igreja. (...) Estou falando das igrejas como um todo. Igrejas locais, com endereço, com estatuto, com membros e líderes. Que são, ou deveriam ser, a expressão local da igreja universal de Jesus Cristo.
Tenho tido a oportunidade de visitar várias igrejas, de várias denominações, algumas históricas, outras de história bastante recente. Algumas que crescem, outras que estão do jeito que sempre foram, e outras que vem se arrastando, mantendo a velha programação e esperando que os gloriosos tempos de outrora voltem algum dia, quando faltava lugar pra tanta gente sentar.
Mas, voltemos aos propósitos. Eta palavrinha bem usada recentemente, não? Igrejas com propósitos, vida com propósitos, 40 dias com propósitos, tudo com propósitos...
Agora... pensando na definição bíblica de igreja, dada por Jesus: existe igreja sem propósitos?
Eu creio que a única resposta cabível é não! Jesus estabeleceu a sua igreja, e disse o que ela deveria ser e fazer. Estabeleceu os seus propósitos. Pouco mais tarde, o Espírito Santo, por intermédio de Paulo, Pedro e outros, estabeleceu algumas normas pelas quais estes propósitos deveriam ser alcançados. Portanto, igreja bíblica é igreja com propósitos (mesmo que use o G12, que se divida em células, que siga a árvore do discipulado, que se organize por ministérios, etc., etc., e mesmo que adote o modelo da igreja com propósitos).
Mas se pensarmos no que temos conseguido e observado com nossas igrejas por aí, começo a pensar que existem variações um tanto estranhas. Penso que todas elas continuam a ser igrejas com propósitos, mas convenhamos... tem cada propósito por aí...
Eu o convido a analisar comigo alguns casos e até a pensar em outros, caso você queira. Lamentavelmente a relação é meio que extensa.
A igreja com o propósito de cultuar a tradição - ora, que se danem os perdidos. Ora, que se danem os jovens e os que querem novidades. Nossa igreja sempre foi assim, ainda é assim, e sempre será assim. Foi assim que sempre fizemos, e assim sempre faremos. Pelo menos até que os manda-chuvas morram
A igreja com o propósito de quebrar paradigmas – temos que modernizar! Temos que achar um novo meio de fazer as coisas! Tudo novo é melhor. Esqueça o que sempre foi feito. O deus dessas igrejas é a quebra da tradição, é o novo modelo. Estão tão atentas em seus novos métodos que se esquecem de pregar o evangelho.
A igreja com o propósito de construir o templo – você já contribuiu? Você já fez seu compromisso de fé? Ora, apresse-se irmão! Temos que comprar os vidros! Temos que isso, temos que aquilo. Temos que construir nosso edifício de educação religiosa. A igreja vira um canteiro de obras, e o edifício passa a ser o “objeto de adoração”.
A igreja com o propósito de vender favores – venha ao nosso culto dos endividados! Venha ao nosso culto da libertação! Venha ao nosso culto da cura e da unção! Venha ao nosso culto disso, culto daquilo. Seja um dos nossos, contribua (claro), e receba com juros e dividendos os favores de Deus. Ah... você já fez tudo isso e o favor não chegou? Falta de fé, irmão...
A igreja com o propósito de mostrar fenômenos – se você vai ao culto de uma dessas igrejas e não sente nem um arrepiozinho, avalie a sua fé, meu caro. O fogo tem que descer. O pau com o capeta tem que quebrar. O inimigo é amarrado. Mas parece que ele acaba se soltando, pra poder ser amarrado de novo no próximo fim se semana.
A igreja com o propósito de triunfar – pensamento positivo, meu velho. Carro importado, sim. Clame por mais faturamento, amigo empresário! Que seus negócios reflitam o poder de Deus! Ah..., é... sei..., mas sabe, esse negócio do apóstolo Paulo dizer que sabe o que é ter fartura e sabe o que é passar necessidade é uma passagem isolada... esse negócio de combater o bom combate, de espinho na carne, é tudo uma visão momentânea...
A igreja com propósito de conviver - é o princípio do monte da transfiguração: "bom estarmos aqui, Senhor! Façamos aqui três tendas!" É a igreja-clubinho dos amigos. Tem um sentimento de família imbatível. Os membros se amam e se dão bem. Tão bem que não querem estragar o ambiente deixando mais gente entrar. Por isso esquecem de pregar.
A igreja com o propósito de discutir teologia - são verdadeiros seminários. Todos os membros sabem tudo de Biblia. Pena que de vez em quando rola uma briga entre os calvinistas e os wesleyanos. Ou entre os pre-milenistas e os pós-milenistas. Brigas entre os doutores da lei. Ensinar Bíblia sempre foi bom, mas há alguns lugares onde o bate-bola teológico foi tão longe que talvez chegue no que Paulo classifica de genealogias intermináveis.
A igreja com propósitos não-declaráveis – pode ser o propósito de comprar uma rede de televisão, de arrecadar dinheiro, de manter o emprego do pastor, de arranjar trabalho para outros obreiros, de montar uma estrutura, de promover alguém na denominação, etc., etc.
Enfim, a questão que fica não é se existe ou não existe igreja sem propósitos. A questão é saber de que propósitos estamos falando.
É óbvio que, filtradas as ironias e um certo humor que existe na descrição dos casos acima, conviver, ensinar, construir, quebrar paradigmas, entre outros, são coisas que precisam passar pela vida de uma igreja sadia e normal. O que não pode ocorrer é que os meios se tornem os fins!
Igreja de Jesus Cristo tem que ter os propósitos de Jesus Cristo. Caso contrário ela é uma confraria, uma associação sem fins-lucrativos, beneficente, sei lá o que. Pode ter até nome de igreja, mas...
Qual é o propósito da igreja de Jesus? Crescer, fazendo discípulos. Discípulos que são adicionados à família porque lhes é apresentado o real evangelho de Jesus. Discípulos que aprendem a guardar os ensinamentos de Jesus. Discípulos que se multiplicam à imagem de Jesus, conforme Jesus, tendo Jesus como modelo.
Igreja com os propósitos de Jesus cresce. Em número, conhecimento, graça e amor, conforme Ele projetou, mandou, estabeleceu.
Igreja com outros propósitos faz qualquer outra coisa. Talvez até cresça. Mas será que transforma vidas à imagem de Jesus?