sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Servir ou Não Servir, Eis a Questão!


“Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Marcos 10:45).
 As Sagradas Escrituras não deixam dúvida quanto às manifestações de um autêntico cristão. Jesus definiu o cristão com uma palavra: servo. Servir a Deus e ao próximo é a característica daquele que tem a Jesus como Senhor de sua vida, porque “o servo não é maior que seu senhor”; e Jesus veio paraservir.
 A Razão da vinda de Jesus
“Quando Jesus Se interessou em explicar a razão de Sua vinda para o nosso meio, fê-lo de forma simples e direta: servir e dar. Não ser servido; não colocar-Se sob os holofotes, no picadeiro central. Não veio para ser famoso, nem conquistar a atenção do mundo, nem Se tornar conhecido, importante, popular, nem ser um ídolo. Não; e para falar a verdade, esse tipo de coisa O repugnava.
 No primeiro século, foi enorme o número de gente assim, de dogmáticos de opinião forte. Indivíduos autoritários eram encontrados às dúzias (sempre o são, não é?). Havia os césares, os herodes, os governadores e outros figurões pomposos. Gente como os fariseus, saduceus e escribas – com os quais Jesus ‘cruzou lanças’ algumas vezes – chegavam ao ponto de se utilizarem da religião para controlar a vida dos outros. Mas servos? Quero dizer, um servo autêntico, que se dedicasse sinceramente ao serviço de outros, sem se preocupar com a questão de quem iria receber os louros? Não se encontrava um.”¹ 
“... E o que quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo” (Mt 20:27). Recomendação de Jesus que está em desuso, mesmo na grande maioria das comunidades cristãs, com líderes que detêm excelente educação e altas posições. A “mentalidade de servo” tornou-se um espécime raro em tais ambientes.
A “síndrome da celebridade” que povoa nossos ideais cristãos bem como nossas ações no cumprimento da missão, simplesmente não se ajusta com as atitudes e mensagens de Jesus. O padrão de comportamento adotado por tais celebridades tanto das igrejas como das instituições cristãs é o de dar ordens, não o de ser servo, pois se tornou uma prática dizer aos outros o que fazer. Todavia, não há nada na Palavra de Deus que justifique alguém deixar de servir as pessoas para servir-se delas.
 Quem é o meu próximo?
“E eis que certo homem, intérprete da Lei, se levantou com o intuito de por Jesus à prova e disse-Lhe: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Então, Jesus lhe perguntou: Que está escrito na Lei? Como interpretas? A isto ele respondeu: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Então, Jesus lhe disse: Respondeste corretamente; faze isto e viverás. Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: Quem é o meu próximo?
 Jesus prosseguiu, dizendo: Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e veio a cair em mãos de salteadores, os quais, depois de tudo lhe roubarem e lhe causarem muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o semimorto. Casualmente, descia um sacerdote por aquele mesmo caminho e, vendo-o, passou de largo. Semelhantemente, um levita descia por aquele lugar e, vendo-o, também passou de largo.
Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou-lhe perto, vendo-o, compadeceu-se dele. E, chegando-se, pensou-lhe os ferimentos, aplicando-lhes óleo e vinho; e, colocando-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e tratou dele. No dia seguinte, tirou dois denários e os entregou ao hospedeiro, dizendo: Cuida deste homem, e, se alguma coisa gastares a mais, eu to indenizarei quando voltar. Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores? Respondeu-Lhe o intérprete da Lei: O que usou de misericórdia para com ele. Então, lhe disse: Vai e procede tu de igual modo” (Lc 10:25-37).
 “Na história do bom samaritano, ilustra Cristo a natureza da verdadeira religião. Mostra que consiste,não em sistemas, credos ou ritos, mas no cumprimento de atos de amor, no proporcionar aos outros o maior bem, na genuína bondade... Assim a pergunta: ‘Quem é o meu próximo?’ ficou para sempre respondida. Cristo mostrou que nosso próximo não quer dizer simplesmente alguém de nossa igreja ou da mesma fé. Não tem que ver com distinção de raça, cor, ou classe. Nosso próximo é todo aquele que necessita de nosso auxílio. Nosso próximo é toda alma que se acha ferida e quebrantada pelo adversário. Nosso próximo é todo aquele que é propriedade de Deus.”² 
 Oportunidades providenciadas
O Senhor, como Planejador Onisciente, sabe como fazer acontecer um encontro entre pessoas quando necessário. “Muitas boas oportunidades estão encobertas sob os acontecimentos que parecem acontecer por acaso.” (Herbert Lockyer).
Na providência de Deus ou nos registros dos evangelhos, não existe casualidade. No entanto, o sacerdote e o levita não viram aquela situação como algo planejado por Deus para que pudessem ajudar uma alma necessitada.  O despreocupado sacerdote, um servo da lei, obrigado a agir com misericórdia até para com um animal (Ex 34:4, 5), que se passava abertamente como um homem consagrado a Deus, não tinha tempo nem compaixão pelo seu desafortunado companheiro judeu. Esse sacerdote conhecia a Lei com o seu mandamento sobre o amar a Deus e ao próximo, contudo, com dureza de coração, ele passa distante do ferido, pelo outro lado.
 O levita era um servo do templo e, como ministro de adoração e intérprete da Lei, deveria ter sentido grande vontade de ajudar aquela alma assustada que viu, porém, deixou o homem sem assistência. Esses dois líderes espirituais deveriam ser os primeiros a traduzir sua fé em Deus, em preocupação e cuidado para com o corpo espancado do viajante. Ao introduzir o sacerdote e o levita na história, Jesus condena uma religião falsa, sem coração, destituída de compaixão, formal e organizada, e revela, no bom samaritano, o verdadeiro espírito da religião em sua essência.
 O doutor da Lei deve ter ficado bastante surpreso quando Jesus apresentou o samaritano como a única pessoa que se dispôs a ajudar aquele judeu indefeso, na estrada solitária e perigosa. O homem que ajudou o pobre necessitado foi exatamente quem ele menos esperava que o fizesse. É lamentável observar quanto domina o egoísmo nestes níveis, quantas escusas dão os homens para poupar-se de problemas ou gastos em ajudar o próximo.
 O cristão genuíno tem em seu coração a lei do amor. O Espírito de Cristo mora nele e a Sua imagem se renova, diariamente, em sua alma. O samaritano é um tipo de Jesus Cristo, que salva o homem, paga suas contas e promete voltar. A hospedaria é a Igreja, à qual Cristo pede que cuide daqueles que foram “comprados e salvos pelo Seu sangue.”
 O servidor do Reino  
Prescrever o serviço cristão para a sociedade dos dias atuais, na qual a individualidade é sustentada e propagada no cenário integralizado – empresas, escolas, universidades, instituições, etc. – é, para o mais otimista ou entusiasta, um desafio extremamente difícil. Sobretudo, porque o contexto está fascinado com a tarefa de estimular a competição entre indivíduos e a auto-suficiência destes.
Todavia, o mundo cristão não pode, à semelhança da avestruz, aceitar cabisbaixo essa filosofia, envasilhar esses pensamentos difundidos atualmente para a nossa sociedade e, abandonar princípios valiosos e eternos ensinados e vividos por Cristo Jesus. Não é sem razão que se vê hoje nas comunidades ditas cristãs, irmãos humilhando outros irmãos, disputa por posições nas igrejas e instituições para alcançar ou manter o status de “cristão produtivo”, e outros.
“[Jesus] Levantou-Se da ceia, tirou a vestimenta de cima e, tomando uma toalha, cingiu-Se com ela. Depois, deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido (...) Depois de ter-lhes lavado os pés, tomou as vestes e, voltando à mesa, perguntou-lhes: Compreendei o que vos fiz? Vós Me chamais o Mestre e o Senhor e dizeis bem; porque Eu O sou. Ora, se Eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque Eu vos dei o exemplo, para que, como Eu vos fiz, façais vós também” (Jo 13:4, 5, 12-15).
 A atitude de Jesus de lavar os pés dos discípulos não pode ser entendida apenas que o Mestre quis ser cortês com cada um deles. Uma vez que a missão de Jesus seria estendida ao mundo através dos apóstolos, deveriam fazê-la na vertical e na horizontal: servir a Deus e a todas as pessoas a quem levassem as boas novas da salvação.
 Na ótica de Jesus,  um verdadeiro líder cristão nasce de um servo: “Mais o maior dentre vós será vosso servo” (Mt 23:11). Essa afirmação de Cristo  não é muito confortável para líderes que consideram difícil servir a pessoas que ocupam posições inferiores às deles. O Salvador exemplificou que “quem não serve para servir, não serve pra...” liderar. Não serve para o Reino.
 O Servidor por excelência
“Na história do bom samaritano, Jesus ofereceu uma descrição de Si mesmo e de Sua missão. O homem fora enganado, ferido, despojado e arruinado por Satanás, sendo deixado a perecer; o Salvador, porém, teve compaixão de nosso estado de desamparo. Deixou Sua glória, para vir em nosso socorro. Achou-nos quase a morrer, e tomou-nos ao Seu cuidado. Curou-nos as feridas. Cobriu-nos com Sua veste de justiça. Proveu-nos um seguro abrigo, e tomou, a Sua própria custa, plenas providências em nosso favor. Morreu para nos resgatar. Mostrando Seu próprio exemplo, diz a Seus seguidores: ‘Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros.’ ‘Como Eu vos amei a vós, que vós uns aos outros vos amei.’”³

PASTOR VAGNER ALVES FERREIRA
JUBILADO – ASSOCIAÇÃO NORTE PARANAENSE/IASD

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O coração vazio da fé

Discutir evangelismo no contexto pós-moderno tornou-se um exercício dialético e missiológico dos evangélicos norte-americanos. Não que a discussão seja de todo desnecessária; apenas alguns de seus contornos se mostram equivocados. A preocupação válida é básica: a busca por um modelo de evangelização para o século XXI implica não só na sobrevivência da verdadeira vocação na igreja, mas serve de termômetro para se avaliar a identificação dos cristãos com o desejo de Jesus: salvar o perdido. Vale ressaltar que outros segmentos cristãos demonstram a mesma apaixonada preocupação com a questão da evangelização - e outros equívocos igualmente flagrantes. Entre os cristãos católicos, talvez mais do que há 50 anos, a missão vem ganhando destaque. Infelizmente, sob fundamentos fajutos e pouco confiáveis. 

O artigo Cristianismo é uma questão de coração, assinado por Salvatore Martinez, presidente da renovação carismática italiana, é sintomático no quesito non sense: seu cristianismo apresenta, ao menos, dois problemas notáveis. 

O primeiro, refere-se a apoiar-se em tradição insípida, extra-bíblica e, portanto, despida do poder que acompanha a verdadeira pregação bíblica. O conceito que perpassa todo o texto de Martinez admite o papel preponderante de Maria como exemplo dos cristãos que querem seguir a Deus de todo o coração, ao mesmo tempo em que ela aparece intimamente associada com Jesus. Senão, vejamos: "O coração de Jesus, que é o Espírito Santo, é o coração de Maria." Ao tornar Maria a pedra de toque da experiência e uni-la inseparavelmente a Jesus, numa fusão que confunde seus papeis, a defesa de uma evangelização mariólatra desmantela a ênfase cristã, que admite uma renovação espiritual sim, mas oriunda e direcionada pela palavra de Deus. 

Porém, o artigo falha em outro ponto igualmente crucial. A religião é nivelada a mera questão de coração, como se segue: "A Palavra de Deus é palavra de amor escrita para os homens; ela se adapta, natural e sobrenaturalmente, mais ao coração do que à mente." 

Obviamente, a contraposição entre mente e coração não é bíblica, porque muito do que a Bíblia atribui a coração englobaria o que chamaríamos de mente. Martinez acaba se contradizendo ao enfatizar acertadamente que é "o coração que pensa, que relê, que concebe projetos, que toma decisões, que assume responsabilidades, que encara desafios, que procura a fraternidade. É o coração que desempenha o papel central na nossa vida exterior e encarna a plenitude da vida espiritual e material juntas." Ora, se esse é, de fato, o papel do coração, não estaria englobando o que em nossa cultura atribuiríamos a mente - ações como "pensar", "reler", "conceber projetos", "tomar decisões", "assumir responsabilidades", etc? Vale lembrar: para a nossa cultura, coração representa sentimentos, afetos; para a cultura judaica, coração inclui vontade, decisão, a totalidade da vida. Afinal, qual das definições o autor defende? Se a ocidental, porque faz uso logo abaixo de uma concepção mais abrangente, próxima à bíblica? Se a oriental, qual a razão do falso dilema "coração"/"mente"? 

Reduzir a religião à dimensão do coração e privá-lo dos domínios da razão (mente), parece-me, trai a essência da fé cristã, que lida com persuasão, evidências e fatos concretos. Nunca a religião se pretendeu um estado mental próximo a um regozijo irrefletido, uma emoção embriagante e sem fundamentos seguros. Não seria promover um esvaziamento da fé afirmar que ela independe de fatos, principalmente daqueles que se acham atrelados indelevelmente ao drama bíblico, ou mesmo à experiência cristã ao longo da História? 

Toda discussão para evangelização perante nossos desafios é relevante desde que se apoie na Bíblia e em um modelo de racionalidade cristã autêntico. Do contrário, cristianismo perderá seu diferencial no mercado pós-moderno, tornando-se uma névoa de espiritualidade banal entre outros sopros momentâneos que balançam as folhas das árvores de nossos dias...

domingo, 25 de novembro de 2012

Atividade física previne encolhimento do cérebro



A atividade física regular na terceira idade pode ajudar a evitar o encolhimento do cérebro e outros sinais associados à demência, revela um novo estudo. A pesquisa foi feita pela Universidade de Edimburgo, na Escócia, e analisou dados de 638 pessoas com 70 anos que foram submetidas a exames cerebrais. Os resultados mostraram que aqueles que eram fisicamente mais ativos tiveram menor retração do cérebro do que os que não se exercitavam. Por outro lado, os que realizavam atividades de estimulação mental e intelectual, como fazer palavras cruzadas, ler um livro ou socializar com os amigos, não tiveram efeitos benéficos em relação ao tamanho do cérebro, constatou o estudo, publicado na revista Neurology.

A ciência já provou que a estrutura e funcionamento do cérebro se deterioram com o passar dos anos. Também são inúmeros os registros na literatura médica de que o cérebro tende a encolher com o envelhecimento. Tal encolhimento está ligado a uma perda de memória e das capacidades cerebrais, dizem as pesquisas.

Os estudos têm mostrado que as atividades sociais, físicas e mentais podem contribuir para a prevenção dessa deterioração. No entanto, até agora não tinham sido realizadas amplas pesquisas com imagens cerebrais para observar essas mudanças na estrutura do cérebro e seu volume. Segundo o estudo, que levou três anos para ser concluído, o médico Alan Gow e sua equipe pediram aos participantes que levassem um registro de suas atividades diárias. No fim desse período, quando completaram 73 anos, os participantes passaram por scannersde ressonância magnética para analisar as mudanças no cérebro.

Depois de levar em conta fatores como idade, sexo, saúde e inteligência, os resultados mostraram que a atividade física estava “significativamente associada” com a menor atrofia do tecido cerebral. “As pessoas de 70 anos que fizeram mais exercício físico, incluindo uma caminhada, várias vezes por semana, apresentaram uma retração menor do cérebro e outros sinais de envelhecimento da massa cerebral do que aqueles que eram menos ativos fisicamente”, exlicou Grow. “Além disso, nosso estudo não mostrou nenhum benefício real no tamanho do cérebro com a participação em atividades mental e socialmente estimulantes, como observado por imagens em scanners de ressonância magnética durante os três anos de estudo”, acrescentou.

Segundo o pesquisador, a atividade física foi também associada a um aumento no volume de massa cinzenta. Essa é a parte do cérebro onde se originam as emoções e percepções. Em estudos anteriores, essa região está relacionada à melhora da memória de curto prazo. Quando os cientistas analisaram o volume de substância branca, responsável pela transmissão de mensagens no cérebro, descobriram que as pessoas fisicamente ativas tinham menos lesões nessa área do que as que se exercitavam menos.

Embora estudos anteriores já tenham mostrado os benefícios do exercício para prevenir ou retardar a demência, ainda não estão claros os motivos por que isso acontece. Os pesquisadores acreditam que as vantagens da atividade esportiva podem estar ligadas ao aumento do fluxo de oxigênio no sangue e de nutrientes para o cérebro. Mas outra teoria é que, como o cérebro das pessoas encolhe com a idade, elas tendem a se exercitar menos e, assim, acabam tendo menos benefícios.

Seja qual for a explicação, dizem os especialistas, os resultados servem para comprovar que o exercício físico é benéfico para a saúde. “Esse estudo relaciona a atividade física à redução dos sinais de envelhecimento do cérebro, sugerindo que o esporte é uma forma de proteger nossa saúde cognitiva”, disse Simon Ridley, da entidade Alzheimer’s Research no Reino Unido. “Embora não possamos dizer que a atividade física é o fator causal desse estudo, sabemos que o exercício na meia idade pode reduzir o risco de demência futura”, acrescentou. “Vai ser importante acompanhar tais voluntários para ver se essas características estruturais estão associadas com maior declínio cognitivo nos próximos anos”, disse.

“Também serão necessárias mais pesquisas para saber detalhadamente sobre por que a atividade física está tendo esse efeito benéfico”, afirmou.

Já o professor James Goodwin, da organização Age UK, que financiou a pesquisa, disse: “Esse estudo destaca novamente que nunca é tarde para se beneficiar dos exercícios, seja uma simples caminhada para fazer compras ou um passeio no jardim”, concluiu. “É crucial que, se o fizermos, permanecer ativo à medida que envelhecem”, acrescenta.

sábado, 24 de novembro de 2012

Cristo oferece a paz


Deixo-vos a paz, a Minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize. João 14:27.
Pouco antes de Sua crucifixão, Cristo legou a Seus discípulos uma herança de paz. … Esta paz não é aquela que vem mediante conformação com o mundo. É mais uma paz interior, que paz externa. Exteriormente haverá guerras e combates, pela oposição de inimigos confessos, e frieza e suspeitas dos que pretendem ser amigos. A paz de Cristo não se destina a banir divisões, mas a persistir em meio de luta e divisão.
Se bem que Ele usasse o título de Príncipe da Paz, Cristo disse de Si mesmo: “Não cuideis que vim trazer a paz à Terra; não vim trazer paz, mas espada”. Mateus 10:34. … O Príncipe da Paz, era não obstante a causa de divisões.
Todos quantos recusam Seu infinito amor verão no cristianismo uma espada, um perturbador de sua paz.
Será impossível a quem quer que seja tornar-se verdadeiro seguidor de Jesus Cristo, sem se distinguir da multidão de incrédulos. Caso o mundo aceitasse Cristo, então não haveria espada ou dissensão; pois todos seriam discípulos de Jesus e viveriam em comunhão uns com os outros, e sua união não seria interrompida. Mas assim não é. Aqui e ali um indivíduo, membro de uma família, é fiel às convicções de sua consciência, e compelido a ficar sozinho. … Torna-se distinta a linha de demarcação. Uns se firmam na Palavra de Deus, os outros nas tradições e dizeres dos homens.
A paz dada por Cristo a Seus discípulos, e pela qual oramos, é a paz que nasce da verdade, uma paz que não deve ser extinta por causa de divisões. Externamente pode haver guerras e conflitos, ciúmes, invejas, ódios e contendas; mas a paz de Cristo não é aquela que o mundo dá ou arrebata.
Ellen G. White, Nossa Alta Vocação, pág. 326.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Crescimento da aids entre os jovens preocupa



O crescimento da aids entre os jovens, especificamente entre os homossexuais, é uma das “grandes preocupações” do Ministério da Saúde, afirmou nesta terça-feira (20) o ministro Alexandre Padilha. “Essa geração não acompanhou o início da luta contra a aids nem perdeu ídolos por causa da doença, por isso a importância da sensibilização”, argumentou Padilha. A faixa entre 15 e 24 anos merece atenção no controle do HIV porque concentra boa parte das pessoas recém-infectadas. Entre os soropositivos nessa faixa etária, os homossexuais representam uma parcela cada vez maior. Em 2002, eles eram pouco menos de 40%. De acordo com os novos dados apresentados pelo Ministério, eles já ultrapassam os 50%.

Por isso, os jovens são um público-alvo importante do programa “Fique Sabendo”, que vai oferecer testes rápidos para detectar HIV, hepatite e sífilis. A meta do Ministério da Saúde é examinar 500 mil pessoas no período. Para atingir esse público específico, o Ministério pretende levar a campanha de mobilização para locais frequentados por jovens – com atenção especial para os homossexuais –, como boates e bares. Além disso, a campanha será feita nas redes sociais, assim como no rádio e na televisão.

Entre 2005 e 2011, o número de exames rápidos feitos no país aumentou de 528 mil para 2,3 milhões, pelo programa “Fique Sabendo”. Só neste ano, de janeiro a setembro, foram distribuídas 2,1 milhões de unidades, e a expectativa do governo é encerrar 2012 com uma remessa de 2,9 milhões de testes só para detectar o vírus da aids.

Cerca de 38 mil casos são diagnosticados anualmente no país. Quanto antes é descoberto o vírus, mais eficaz é o tratamento. Segundo o Ministério, cerca de 70% das pessoas que tomam o coquetel antirretroviral apresentam cargas virais indetectáveis. [...]

Atualmente, cerca de 530 mil pessoas estão com o vírus HIV no país. Dessas, 217 mil estão em tratamento e 130 mil ainda não sabem que tem a doença, segundo o ministério. “Nossa meta com a campanha é fazer com que pessoas que façam parte desses 130 mil tomem conhecimento e comecem a se tratar”, disse o ministro. [...]


Nota: Para o governo, basta tratar os infectados e pregar que o sexo seguro se consegue com o preservativo. Isso tem seu lugar, evidentemente, mas não consiste no ataque da causa. A causa é o “sexo livre”, cujos resultados não se limitam à contaminação pelo HIV (leia aqui e aqui). Enquanto as autoridades não tiverem coragem de dizer com todas as letras (ao contrário do que “dizem” as novelas, os seriados e os filmes) que o estilo de vida dos jovens está errado (sexo casual, baladas regadas a álcool e drogas, “ficar”, etc.), problemas como esse e outros somente tenderão a crescer. Um bom (mau) exemplo é a foto da campanha acima, acompanhada da frase: "Cada vez que você dorme com alguém, você dorme com o passado dela." Isso é a pura verdade (tanto no aspecto físico quanto no psicológico/emocional). Mas qual é a solução apontada para isso? Fazer teste de HIV. Não, a solução é defender e ensinar o verdadeiro sexo seguro: entre duas pessoas casadas que se preservaram uma para a outra para viver a sexualidade dentro do casamento e exclusivamente nele.[MB]

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Uma Viagem Pelo Deserto


Certo dia, Moisés saiu do palácio do Faraó para visitar seu povo e pode sentir a terrível dor da escravidão. Viu a sujeição e a injustiça. Ficou muito irritado com tudo o que viu e uma “santa” ira tomou conta de seu coração. Decidiu que teria de fazer alguma coisa. Assim, tomou o caso em suas próprias mãos. O resultado foi um assassinato.
Analisando esse episódio marcante na vida de Moisés, vemos que o motivo era correto, mas a ação foi errada. Ele agiu na esfera horizontal em vez de buscar uma ação vertical, com a aprovação de Deus. Moisés teve que fugir para deserto, onde Deus preparou o homem que seria finalmente o libertador de uma nação. Mas foram necessários 40 anos de preparação até que Deus o considerasse pronto para sua missão. Nesse tempo, Moisés se tornou um homem de negócios, no contexto de sua época. E foi durante o período em que ele desenvolvia uma atividade secular que Deus o convidou para ser um libertador.
Moisés representa muitos crentes cristãos entusiasmados com as perspectivas de fazer a obra de Deus e que procuram resolver um problema espiritual com uma ação carnal. O grande perigo para um crente que possui essa característica é sua grande capacidade de confiar em si mesmo, seus talentos e sua perícia para realizar as coisas. Essa confiança própria pode se transformar em sua maior fraqueza quando tenta se mover no reino espiritual.
Temos sido preparados para ser agentes de soluções de problemas. Mas, como Moisés, se nosso entusiasmo e paixão não forem utilizados pelo poder do Espírito Santo, falharemos completamente. Pedro teve que aprender muito bem essa lição. Seu entusiasmo resultou em muitos problemas. Mas Deus foi paciente com ele, do mesmo modo como é paciente com cada um de nós, hoje.
Às vezes, Ele precisa nos enviar para o deserto por um momento a fim de nos moldar de tal forma que seja permitido Cristo reinar supremo em nossa vida. Antes que você tome uma decisão para agir, procure a presença de Jesus intensamente até que saiba que Deus está por trás da ação. Busque conselho com pessoas experientes. Você talvez possa economizar uma viagem ao deserto e, assim, evitar muitos percalços e atrasos na concretização dos planos de Deus para a sua vida.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Israel e a nova guerra mundial



Ao convocar 75 mil reservistas para as fileiras, o governo de Israel deixou claro que prepara nova invasão terrestre da Faixa de Gaza, como passo prévio a uma aventura maior, contra o Irã. Desta vez, no entanto, há sinais de que a violência encontrará a resistência dos países árabes vizinhos. A visita do primeiro ministro do Egito, Hisham Kandil, a Gaza e a clara advertência do novo presidente, Mosri, de que os egípcios não deixarão os palestinos sós deveriam conter os alucinados direitistas de Tel-Aviv, mas não parece que isso ocorra. Ao contrário, há todas as indicações de que se encontram dispostos a ir ao tudo, ou nada.

Ocorre que as coisas mudaram nos países árabes. Os aliados de Israel haviam visto, na primavera árabe, uma democratização à americana, que laicizaria as sociedades muçulmanas e as levaria à absorção pela civilização do consumo. Se assim fosse – era a ilusão de Israel –, os palestinos seriam compelidos a aceitar, resignados, o fim de sua luta pela sobrevivência como nação. Rapidamente as coisas se mostraram como são.

Os árabes não saíram às ruas para contestar o Islã, mas com o propósito de recuperar os princípios de solidariedade do Corão e contestar o alinhamento de seus governos aos interesses de Washington. Não é por outra razão que os radicais de Al Qaeda contribuíram para o levante contra Kadafi.

O Egito, sob Mubarak, sempre foi fiel aos Estados Unidos em sua política regional, e aliado confesso de Israel. Com Mosri, a situação mudou. O novo presidente egípcio tem mantido consultas sucessivas com outros chefes de Estado e de governo árabes e reuniu, no Cairo, o presidente da Turquia, Recep Erdogan, o emir de Catar, Hamad bin Khalifa Al Thani, e outros dirigentes políticos da região, para discutir o problema da Palestina. O emir de Catar visitou recentemente a Faixa de Gaza e doou 254 milhões de dólares para a reconstrução de seus hospitais.

A atitude mais clara do Cairo foi a de enviar a Gaza seu primeiro ministro Hisham Kandil, sexta-feira passada. Israel prometeu que suspenderia seus ataques aéreos contra a área durante as três horas da visita do dirigente egípcio – mas antes que Kandil deixasse a cidade pelo passo de Rafa, reiniciaram-se os bombardeios. Os judeus usam mísseis ar-terra, como o que matou o primeiro ministro do Hamas. E também aviões não tripulados, os criminosos drones. Dezenas de crianças estão gravemente feridas e, entre outras vítimas infantis, morreu um menino de apenas onze meses.

Se Israel, além de arrasar Gaza, como é o confessado propósito de seus extremistas, atacar o Irã, será quase impossível evitar uma terceira guerra mundial. O momento, sendo de recessão econômica global, é propício ao desvario dos conflitos armados. Como registra a História, nada melhor para o capitalismo do que um grande conflito, do qual ele sempre emerge fortalecido. Mas não parece que, desta vez, os vencedores venham a ser os mesmos.

(Viomundo, Mauro Santaiana)

Nota: Não quero entrar aqui no assunto das motivações por trás desses conflitos israelenses-palestinos. Isso é um vespeiro daqueles. Quero apenas destacar a fragilidade e a gravidade da situação presente. Uma guerra envolvendo vários países (produtores de petróleo, diga-se) num momento de crise econômica mundial levaria o mundo a uma situação realmente caótica. Nada mais profético...[MB]